Como este blog é dedicado à sociologia, literatura e arte, porque não começar com um pensamento interessante:
"O artista é um homem que descobriu que as coisas não são apenas o que se vê, o que erradamente se vê. As coisas dizem mais do que demonstram na sua anônima mudez. essa descoberta pode também ser interpretada como expressão de uma necessidade interior: o artista é um homem que quer romper com sua individualidade, os limites dela, porque ele sabe que é mais do que aparenta. Enfim, o particular - seja coisa, seja gente - é a solidão (...)" Ferreira Gullar, in Sobre Arte.
Quem sou eu para falar da alma ou da função social do artista... mas esta reflexão é interessante pois demonstra que o artista (e sua obra) são e estão imersos numa realidade social e, por isso mesmo, são compreensíveis. Conseguimos observar e interpretar a obra artística: o livro, o filme, a pintura. Mas também, muitas vezes, não compreendemos o que vemos ou o que lemos. Aí buscamos interpretar com o que aprendemos... não necessariamente o artista produz para que nós entendamos, mas para que ele se entenda e ache um caminho para o que ele procura. Mas do outro lado estamos nós, ávidos por representações, por expressões, por algo que possamos nos identificar. E muitas vezes achamos que lemos ou vemos exatamente o que estávamos sentindo ou pensando. É aí, neste momento, que somos invadidos por um sentimento de eternidade, como se o mundo tivesse dado um "pause" e tudo fizesse sentido. Finalmente, somos compreendidos. E não é isso que desejamos, como humanos?